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Não conheço nada mais fantástico do que revolucionar visões do mundo graças a tomadas de consciência, observações ou pensamentos sobre a vida.
É como um pequeno passo de alívio, em que me sinto mais leve e mais livre. Só a partir de um ponto desses consigo conversar com alguém, ou escrever sobre essa experiência. Apesar de a nova visão ser também transitória, e nunca uma verdade absoluta, permite viver a constatação que o meu bem-estar não depende de quão agarrado estou ao transitório, mas sim a liberdade com que me reinvento sem me levar demasiado a sério.
Quando escrevo mensagens e pensamentos, sinto a fecundidade de cada palavra, que tenta pelo menos dar um vislumbre do carácter visceral e sentido de cada emoção que me perpassa.
Admito que por vezes se torna impossível fazer a transição entre o sentimento e a palavra. Durante alguns anos isso retirou bastante do meu gosto em escrever… como se achasse horrível a deturpação que os limites da palavra impõem, e ainda mais terrível o equívoco das interpretações de quem lê, vê ou ouve.
No entanto, acabei por perceber que não estava a escrever para os outros, apesar de com eles me partilhar sem grande inibição. Estava a escrever para usufruir de uma muito nobre forma de autoconhecimento. Transformar sentimentos, organizar ideias, encontrar sentido nos pensamentos da vida e sobre a vida…
O que constato é que quanto mais intensa for a minha entrega ao que estou a sentir e a extravasar, mais provável será a pureza da emoção suplantar o equívoco de interpretação. Assim, deixa de ser relevante o esforço inglório de conduzir os outros à exacta compreensão do que estou a dizer, para reluzir o grande prazer de os ver a vibrar na mesma tónica de união, empatia e emoção. A partir desse ponto, deflagram a sua própria consciência.
O conteúdo dos textos cairá em desuso, mas a emoção permeará sempre os nossos corações, dissolverá tempo e espaço, permitindo que pensamentos, vida e acções perpetuem este conforto de nos ajudarmos uns aos outros na construção de uma bonita história de vida.